A Xiaomi decidiu cancelar o projeto de lançar um smartphone ultrafino em 2026, mesmo após avançar no desenvolvimento de um protótipo funcional. A informação veio de fontes confiáveis da indústria chinesa e indica que a fabricante recuou por motivos técnicos e estratégicos, após analisar o desempenho desse tipo de aparelho no mercado global em 2025.
A decisão chama atenção porque a Xiaomi vinha estudando entrar diretamente na disputa com modelos ultrafinos recentes de marcas concorrentes, apostando em design premium, peso reduzido e espessura mínima. No entanto, os dados de vendas e os desafios de engenharia falaram mais alto.
O projeto ultrafino da Xiaomi já existia e estava avançado
Segundo informações de bastidores, o smartphone não chegou a ser anunciado oficialmente, mas já estava em fase de protótipo. Internamente, ele era tratado como um modelo da próxima geração e poderia se chamar Xiaomi 17 Air, seguindo a lógica de nomenclaturas mais leves e premium.
A proposta era clara: competir diretamente com aparelhos ultrafinos lançados em 2025, focando em design extremamente fino, corpo metálico e hardware de alto desempenho. Porém, ao avançar no desenvolvimento, a Xiaomi encontrou obstáculos difíceis de contornar.
Problemas técnicos foram o primeiro grande bloqueio
O principal entrave técnico estava no processador Snapdragon 8 Elite Gen 5, que já apresentava temperaturas elevadas em modelos mais espessos da própria marca, como versões avançadas da linha Xiaomi 17 Pro.
Em um smartphone ultrafino, o espaço interno para dissipação térmica é drasticamente reduzido. Isso limita:
- Uso de câmaras de vapor maiores
- Sistemas avançados de dissipação
- Baterias com maior densidade térmica
Na prática, o risco era lançar um aparelho que aquecesse demais, comprometendo desempenho, conforto do usuário e até a vida útil do hardware.
Para uma marca que vem apostando fortemente em desempenho sustentado, isso se tornou um ponto crítico e praticamente inviável de resolver sem grandes concessões.
Especificações vazadas do protótipo revelam ambição alta
Mesmo com o cancelamento, vazamentos revelaram detalhes técnicos do aparelho que mostram o quão ambicioso o projeto era. Entre as especificações associadas ao protótipo, estavam:
- Espessura aproximada de 5,5 mm, extremamente fina
- Corpo metálico premium
- Tela de 6,59 polegadas
- Processador Snapdragon 8 Elite Gen 5
- Câmera principal de 200 MP
- Bateria limitada a cerca de 6.000 mAh, número alto para o segmento, mas ainda insuficiente frente às exigências térmicas
Apesar de impressionantes no papel, essas configurações tornavam o equilíbrio entre desempenho, temperatura e autonomia extremamente delicado.
Elementos do projeto não foram descartados totalmente
Mesmo com o cancelamento do smartphone ultrafino, a Xiaomi não jogou todo o trabalho fora. Partes importantes do design e da engenharia devem ser reaproveitadas em outros dispositivos da marca.
Entre os modelos que devem herdar essas soluções estão dobráveis premium, como futuras gerações da linha Mix Fold. Materiais, acabamentos e até o visual do módulo de câmeras devem reaparecer em aparelhos que tenham mais espaço interno para lidar com calor e bateria.
Mercado de celulares ultrafinos não correspondeu em 2025
Além das dificuldades técnicas, a Xiaomi avaliou com atenção o desempenho comercial dos smartphones ultrafinos lançados recentemente. E os números não foram animadores.
Samsung enfrentou dificuldades com o Galaxy S25 Edge
A Samsung foi uma das primeiras a apostar forte nesse formato em 2025, mas os relatos indicam que o Galaxy S25 Edge teve vendas abaixo do esperado. Isso teria levado a empresa a reconsiderar a continuidade da linha, com rumores apontando para o cancelamento de um possível Galaxy S26 Edge.
Apple também teria reduzido produção do iPhone Air
A Apple seguiu caminho semelhante com o iPhone Air, mas a recepção do mercado não correspondeu às expectativas. Pouco tempo após o início das vendas, a empresa teria reduzido a produção devido à baixa procura, colocando até mesmo futuras gerações do modelo em risco.
Esses movimentos acenderam um alerta claro: design ultrafino, por si só, não está sendo um fator decisivo de compra para a maioria dos consumidores.
O que o consumidor realmente prioriza hoje
A análise de mercado feita pelas fabricantes aponta que, em 2026, o consumidor médio valoriza mais:
- Bateria grande e durável
- Bom desempenho sustentado
- Menor aquecimento
- Confiabilidade no uso diário
- Câmeras versáteis e consistentes
Em muitos casos, os usuários aceitam aparelhos um pouco mais espessos se isso significar mais autonomia, menos aquecimento e melhor longevidade.
Isso explica o sucesso crescente de smartphones com baterias acima de 6.000 mAh e espessuras ligeiramente maiores, inclusive com novas tecnologias como baterias de silício-carbono.
Smartphones ultrafinos podem virar nicho de mercado
Com os resultados fracos de grandes marcas, o segmento de celulares ultrafinos tende a se tornar um nicho específico, voltado para consumidores que priorizam design acima de tudo, mesmo com concessões claras.
A Xiaomi, ao analisar esse cenário, optou por não assumir o risco de lançar um produto caro, complexo e com potencial de vendas limitadas.
Honor ainda aposta no formato e pode testar o mercado
Apesar do recuo de Xiaomi, Samsung e Apple, a categoria ainda não está completamente morta. A Honor surge como a principal marca disposta a testar novamente o formato com o Honor Magic 8 Pro Air.
O modelo promete:
- Espessura de cerca de 6,3 mm
- Bateria de 5.500 mAh, considerada alta para um ultrafino
- Foco em eficiência energética e equilíbrio térmico
Se esse modelo conseguir boa aceitação, pode reacender o interesse no segmento. Caso contrário, reforçará a percepção de que o mercado já fez sua escolha.
Estratégia da Xiaomi mostra maturidade de mercado
Ao cancelar o projeto antes do lançamento, a Xiaomi demonstra uma postura mais madura e pragmática. Em vez de lançar um produto apenas para marcar presença em uma tendência, a empresa preferiu focar em categorias com maior demanda real, como:
- Smartphones com baterias gigantes
- Dobráveis mais eficientes
- Intermediários premium com foco em custo-benefício
- Topos de linha equilibrados entre potência e autonomia
Essa decisão evita prejuízos, protege a imagem da marca e permite direcionar recursos para produtos com maior chance de sucesso.
O fim dos smartphones ultrafinos?
Ainda é cedo para declarar o fim definitivo dessa categoria, mas os sinais são claros: 2026 não parece ser o momento ideal para celulares ultrafinos. As limitações térmicas, o custo elevado e o baixo apelo comercial pesam contra esse tipo de projeto.
A Xiaomi entendeu isso antes de colocar o produto nas prateleiras, preferindo observar o mercado em vez de insistir em uma tendência que ainda não provou seu valor.
Se o consumidor voltar a demonstrar interesse real por design ultrafino no futuro, a tecnologia certamente evoluirá para acompanhar. Até lá, autonomia, desempenho e confiabilidade seguem sendo os verdadeiros protagonistas do mercado de smartphones.
