
A arquitetura Intel Core Ultra Series 3 (Panther Lake) chegou oficialmente e já começou a mudar um ponto que sempre travou muita gente na hora de comprar notebook: a necessidade de GPU dedicada para jogar com qualidade aceitável.
A promessa era clara: até 50% a mais de desempenho gráfico em relação à geração anterior, e os testes iniciais mostram que a Intel finalmente colocou a iGPU num patamar onde jogos modernos rodam bem em notebooks finos, com bom consumo e sem virar um “notebook gamer” pesado.
O grande destaque do Panther Lake: a Intel Arc B390 integrada
Nem todo Panther Lake vem com a mesma iGPU forte. Nos testes, o foco foi a Intel Arc B390, que aparece nos chips com “X” na nomenclatura, e é ela que entrega o salto mais interessante para games.
Onde a Intel Arc B390 aparece
- Core Ultra X7 358H
- Core Ultra X7 368H
- Core Ultra X9 388H (topo, usado no teste)
Já existe também a Arc B370, citada como presente em um modelo específico (Core Ultra 5 338H). Nos demais, a GPU aparece como Intel Graphics, sugerindo um ganho menor.
Battlefield 6 rodando em notebook fino: configurações e resultado
Um dos exemplos mais impactantes foi Battlefield 6 rodando em notebook não gamer, com:
- Gráficos no Alto
- Full HD
- XeSS (upscaling) no modo Qualidade
- Sem Frame Generation naquele momento
O resultado ficou acima de 60 FPS, com visual convincente para um triple-A, mostrando que a Intel está confiante (até porque deixou máquinas prontas para o público jogar, sem restrição de teste).
Cyberpunk 2077: benchmarks e o que dá pra esperar na prática
Cyberpunk é um bom “termômetro” porque pesa muito no gráfico. Foram testados vários cenários em Full HD.
1) Ultra “bruto” (sem upscaling e sem Frame Gen)
- 43 FPS em média
Para uma GPU integrada, esse número é bem relevante. Não é “perfeito”, mas já entra naquela zona de jogável com ajustes.
2) Ultra + XeSS (modo Qualidade)
- acima de 60 FPS
Aqui a fluidez melhora bastante, mas existe um ponto importante: qualidade de imagem. Mesmo no modo Qualidade, pode aparecer: - borrões em detalhes finos
- serrilhado em elementos
- perda de definição em algumas cenas
Ou seja: funciona para ganhar FPS, mas nem sempre agrada quem é mais chato com imagem.
3) XeSS + Frame Generation
- passa de 100 FPS
Em termos de sensação, a fluidez sobe bastante e pode ficar agradável, desde que o FPS base não esteja muito baixo. A regra que vale aqui é:
Frame Generation funciona melhor quando o jogo já está perto ou acima de 60 FPS nativos.
Se a base for muito baixa, a latência e a sensação de “controle pesado” tendem a piorar.
Ray Tracing no Panther Lake: dá, mas com limites
Overdrive (tudo no talo, sem truques)
- 7 FPS
Ou seja: só para teste de curiosidade.
Overdrive + XeSS Performance + Frame Gen
- 43 FPS
Mas não ficou bom para jogar, por dois motivos: - upscaling agressivo (imagem muito forçada)
- frame gen em cima de base baixa (latência alta)
Ray Tracing no Médio + XeSS Auto
- 43 FPS base
Com Frame Generation: - passa de 90 FPS
Mesmo assim, como a base não era 60+, a experiência pode não ficar tão “redonda” dependendo do jogo.
God of War Ragnarök e outros AAA: o padrão se repete
A lógica que apareceu nos testes é a mesma que deve acontecer em vários jogos:
- AAA moderno: precisa de ajustes e truques (XeSS, presets equilibrados e às vezes Frame Gen)
- competitivos e jogos mais leves: rodam tranquilos sem sofrimento
- sem GPU dedicada: notebook fica mais fino, mais leve e tende a ter melhor autonomia
Arc B390 chega perto de uma RTX 4050 Laptop?
A comparação inicial colocou a Arc B390 numa faixa próxima de uma GPU dedicada de entrada, algo como uma RTX 4050 Laptop, mas com vantagens típicas de iGPU avançada:
- menor consumo
- menos calor concentrado
- notebooks mais finos
- mais bateria
Isso explica um movimento importante citado: algumas fabricantes estão abandonando GPU dedicada de entrada em certos modelos, porque uma iGPU forte resolve a maioria dos usos e reduz custo/complexidade.
Vale a pena esperar notebooks com Panther Lake para jogar?
Se o seu objetivo é jogar casualmente sem carregar um trambolho gamer, Panther Lake começa a fazer bastante sentido, principalmente se você:
- quer notebook leve
- valoriza bateria
- joga eSports / jogos leves
- quer rodar AAA em Full HD com ajustes e upscaling
Agora, se a sua meta é jogar AAA com tudo no ultra + ray tracing pesado sem depender de truques, a GPU dedicada continua sendo o caminho mais consistente.
O que observar antes de comprar um notebook Panther Lake
Nem todo modelo vai entregar a mesma experiência. Antes de decidir, foque nestes pontos:
- Se vem com Intel Arc B390 (melhor cenário para jogos)
- Qual é a tela: Full HD é o alvo ideal para iGPU
- Suporte e qualidade do XeSS no jogo que você joga
- Se o notebook tem boa refrigeração, porque iGPU forte ainda gera calor
- Se o modelo permite usar Frame Generation com estabilidade
O salto geracional que realmente importa em 2026
A sensação geral é que ficou para trás aquele cenário antigo de “Intel Graphics que não roda nada”. A evolução foi clara:
- geração antiga: muito fraco para jogos
- Lunar Lake: grande salto
- Panther Lake: salto ainda maior, com foco forte em GPU
Se a tendência continuar, notebooks sem GPU dedicada vão ficar cada vez mais viáveis para jogar, principalmente em Full HD com otimizações inteligentes.