
O mercado brasileiro de headsets gamer sempre foi dominado por marcas já consagradas, como Logitech, Astro e Corsair. A Fractal Design, conhecida principalmente pelos gabinetes premium, resolveu entrar nessa disputa com o Fractal Escape, seu primeiro headset gamer. A proposta é clara: entregar construção de nível entusiasta, dock inteligente, ótimo som e versatilidade para PC, console e mobile.
Mas será que ele realmente consegue ser melhor opção que o Astro A50 Gen5, até então referência na categoria? A seguir, um review completo baseado em um uso prolongado, apontando os pontos fortes, limitações e para quem esse fone realmente vale a pena.
Compatibilidade e proposta do Fractal Escape
O Fractal Escape nasce como um headset gamer wireless premium, focado em quem quer um único fone para tudo:
- PC e Mac
- PS4 e PS5
- Nintendo Switch
- iOS e Android
Essa compatibilidade ampla é um dos pilares do produto: ele funciona tanto no setup gamer quanto no celular, seja via 2.4 GHz com dongle ou via Bluetooth. Some isso à dock com carregamento por indução e você tem um setup pensado para quem realmente vive com o headset na cabeça.
Design e construção: nível entusiasta
Visualmente, o Fractal Escape é um headset elegante, com design mais “clean” e menos exagerado que muitos modelos gamers. Mesmo assim, o grande destaque não é o visual, e sim a qualidade de construção.
Materiais e estrutura
- Juntas todas em metal, incluindo a haste de ajuste da headband
- Deslizamento da haste sem níveis marcados, com ajuste contínuo, suave e preciso
- Arcos robustos, sem sensação de fragilidade
- Conchas com excelente encaixe e acabamento refinado
A sensação ao segurar o fone é de produto realmente premium, com um cuidado de engenharia que raramente se vê em headsets vendidos oficialmente no Brasil.
Conforto: excelente construção, mas clamping forte
Se por um lado a construção impressiona, o conforto não é tão perfeito assim logo de cara.
- As earpads em memory foam (tipo travesseiro da NASA) são muito confortáveis ao toque.
- O problema está no clamping (força com que o fone aperta a cabeça).
No início, o Fractal Escape aperta bastante, a ponto de incomodar em sessões mais longas. De acordo com a experiência relatada, foram necessárias cerca de duas semanas de uso até que o headset ficasse realmente confortável, com o arco “cedendo” um pouco e o usuário se acostumando à pressão.
Quem prioriza conforto absoluto desde o primeiro dia e passa muitas horas seguidas jogando pode sentir mais falta de um ajuste mais leve, especialmente quando comparado com o Astro A50, que é claramente mais confortável.
Controles físicos e layout dos comandos
O Fractal Escape traz um conjunto muito bem pensado de botões e controles espalhados pelos earcups:
- Botão para ligar/desligar o RGB
- Botão para troca rápida de preset de equalização
- Porta USB-C para carregamento
- Conector para o microfone removível
- Chave seletora 2.4 GHz / Bluetooth
- Botão físico para mute do microfone
- Scroll metálico de volume, com pegada sólida e precisa
A organização dos controles mostra um produto pensado para uso real, não só para ficar bonito nas especificações.
Dock com carregamento por indução: uma aula para a concorrência
Um dos grandes diferenciais do Fractal Escape é a dock de carregamento, que faz muito mais do que simplesmente servir de suporte.
Por que a base do Fractal Escape é tão especial?
Diferente de muitos headsets que usam contato por pinos metálicos, o Fractal Escape carrega por indução, como um smartphone:
- Basta encostar o earcup esquerdo na dock:
- Não precisa alinhar pininho
- Não precisa “acertar o encaixe” no milímetro
No Astro A50, por exemplo, o encaixe por pinos é notoriamente chato: se o fone não cair certinho no trilho, ele simplesmente não carrega. No Fractal Escape, esse problema some.
Detalhes inteligentes da dock
A base traz ainda alguns detalhes muito bem pensados:
- Canaletas na parte inferior para escolher por onde o cabo USB-C vai sair (lateral ou traseira)
- Compartimento dedicado para o dongle 2.4 GHz, com:
- Slot específico
- Cordinha para facilitar puxar o dongle
É o tipo de solução de design que mostra que a Fractal não fez apenas “mais um suporte”, mas uma central de uso diário para o headset.
Microfone: funcional, mas não o ponto forte
Em termos de microfone, o Fractal Escape é competente, mas não lidera a categoria.
Tipos de microfone e formas de mute
O headset oferece três maneiras de trabalhar o áudio de voz:
- Microfone destacável (boom mic) para uso no setup
- Microfone interno, para uso mais casual fora do PC
- Microfone via Bluetooth, quando conectado ao celular
E também três formas de mutar o microfone:
- Levantando o boom mic
- Removendo o microfone
- Apertando o botão físico de mute na traseira do fone
Em uso real, o microfone principal entrega qualidade suficiente para jogar, conversar com amigos no Discord e participar de partidas competitivas.
Comparação com outros modelos
- O Logitech G522, que custa cerca de R$ 1.000 a menos, tem um microfone considerado melhor.
- O Astro A50 Gen5 também leva vantagem clara em qualidade de voz.
Ou seja: o microfone do Fractal Escape não é ruim, mas quem prioriza comunicação cristalina acima de tudo pode preferir outras opções. Para jogar, ele cumpre seu papel com competência.
Áudio: onde o Fractal Escape brilha
Se o microfone não impressiona tanto, o áudio do Fractal Escape faz exatamente o contrário.
Durante testes alternando entre vários headsets (Fractal Escape, Astro A50, Logitech G522, Corsair Void V2), trocando de fone a cada 10 mortes em partidas de CS, o Fractal Escape foi apontado como o headset com o som mais agradável para jogos.
Assinatura sonora
- Perfil em “V” leve
- Médios-graves muito bem trabalhados
- Graves presentes, mas sem exagero boomy
- Agudos com boa clareza, sem se tornarem estridentes
A sensação geral é de um palco sonoro bem definido, que destaca:
- Passos
- Granadas
- Mudanças de ambiente sonoro
Após as atualizações de áudio de jogos como o CS, que deram mais identidade aos sons de granadas e ações em mapa, o Fractal Escape consegue evidenciar detalhes que muitos outros headsets simplesmente deixam passar. Isso é uma enorme vantagem competitiva em shooters táticos.
Bluetooth x 2.4 GHz
No modo Bluetooth, tanto o áudio quanto o microfone sofrem um pouco:
- Perda perceptível de qualidade
- Menos impacto, menos definição
Ainda assim, para uso casual com o celular, consumir conteúdo e quebrar galho fora do setup, o Bluetooth cumpre sua função. Mas, para jogar, o ideal é sempre usar o 2.4 GHz com dongle, onde o headset brilha de verdade.
Software online e presets salvos no fone
Outro diferencial interessante é o software da Fractal. Em vez de um programa tradicional para Windows, o Escape usa um software online, acessado via navegador:
- Basta entrar no endereço indicado pela marca
- O fone é reconhecido automaticamente
- Você controla tudo direto pelo site
O que é possível ajustar
- Iluminação RGB, com vários presets e opção de desligar completamente
- Equalização de som, permitindo montar a curva ideal para o seu gosto
- Criação e salvamento de três presets de áudio diferentes
Esses três presets podem ser alternados diretamente pelo botão físico do headset, e o mais importante:
eles são salvos na memória interna do fone.
Isso significa que, ao mudar para Bluetooth ou sair do PC, o Fractal Escape leva consigo a curva de equalização configurada, o que é perfeito para quem quer manter o mesmo perfil sonoro no celular.
Comparativo: Fractal Escape x Astro A50 x Logitech G522
Para entender melhor o posicionamento do Fractal Escape, vale olhar um comparativo direto com dois modelos relevantes: o Astro A50 Gen5 e o Logitech G522.
Tabela comparativa
| Característica | Fractal Escape | Astro A50 Gen5 | Logitech G522 |
|---|---|---|---|
| Faixa de preço aproximada | Em torno de R$ 2.000 | Similar ou até mais caro | Bem mais barato |
| Conforto | Muito bom após adaptação, clamping forte | Excelente, clamping mais leve | Confortável, perfil gamer tradicional |
| Construção | Extremamente premium, muita peça em metal | Muito boa, mas menos “entusiasta” | Boa, mas não no mesmo nível |
| Qualidade de áudio (jogos) | Superior, melhor definição e imersão | Muito boa, mas perde em detalhes | Boa, porém abaixo dos dois |
| Microfone | Suficiente, mas não o melhor | Melhor que o Fractal | Melhor que o Fractal e mais barato |
| Dock/carregamento | Dock por indução, prática e funcional | Dock com pinos, exige encaixe preciso | Sem dock desse tipo |
| Versatilidade (PC/console/mobile) | Alta, 2.4 GHz + Bluetooth + presets salvos | Alta para PC/console | Boa, mais focada em PC |
| Software/EQ | Software online com presets no fone | Software dedicado sólido | Software tradicional Logitech |
Pontos fortes do Fractal Escape
- Construção e materiais de nível entusiasta
- Dock com carregamento por indução, prática de verdade
- Som excelente para jogos, com grande riqueza de detalhes
- Software online simples de usar, sem instalação
- Presets de equalização salvos no próprio fone
- Versatilidade: funciona em PC, consoles e mobile
- Microfone destacável e ainda opção de microfone interno
- Boa experiência geral em shooters competitivos
Pontos a melhorar e ressalvas importantes
- Clamping forte nas primeiras semanas, podendo incomodar quem é mais sensível
- Microfone apenas correto, perdendo para o Astro A50 e para o Logitech G522
- Qualidade de som e microfone pioram via Bluetooth
- Questões de durabilidade das earpads: não há venda fácil de reposição, nem no site da própria Fractal
- Preço elevado, posicionado no topo da categoria no Brasil
Vale a pena escolher o Fractal Escape?
Colocando tudo na balança, o Fractal Escape se destaca como um headset pensado em cada detalhe de uso:
- A dock realmente funciona e torna o ato de carregar o fone algo natural.
- A construção passa confiança de produto premium.
- O áudio é, hoje, um dos melhores disponíveis em headsets gamer wireless vendidos oficialmente no Brasil.
Se o foco é:
- Qualidade de som em jogos
- Construção de alto nível
- Dock prática e funcional
- Versatilidade entre PC, console e mobile
o Fractal Escape se posiciona como uma das melhores opções que o dinheiro pode comprar no mercado brasileiro atual, com força suficiente para desbancar o Astro A50 para muitos perfis de usuário.
Por outro lado, se você:
- Prioriza conforto absoluto por muitas horas seguidas
- Coloca o microfone como fator principal de escolha
- Quer gastar bem menos mantendo um bom conjunto
modelos como o próprio Astro A50 ou o Logitech G522 ainda podem fazer mais sentido.
Para quem busca um headset topo de linha, está disposto a investir na casa dos R$ 2.000 e quer o que há de mais avançado em construção e áudio gamer disponível oficialmente no Brasil, o Fractal Escape surge como forte candidato a melhor escolha, com algumas ressalvas, mas com uma experiência sonora que realmente chama atenção e o coloca no topo do mercado nacional.
