
O Huawei Mate XT Ultimate Design é, hoje, um dos smartphones mais ousados do mercado: um tri-fold que abre em duas dobras para entregar três formatos de tela (smartphone, mini-tablet e tablet). Também é um dos mais caros já vendidos no país, com preço que encosta nos R$ 35 mil. Testamos o aparelho por semanas e reunimos aqui uma análise direta ao ponto: como é usar um dobrável em três partes no dia a dia, quais os limites de desempenho e bateria, como é a experiência de software, as câmeras, e — principalmente — se faz sentido para quem pensa em importar ou investir numa vitrine tecnológica.
Construção e ergonomia: fino aberto, volumoso fechado
- Espessura: 4,75 mm aberto; 12,8 mm com todas as partes fechadas.
- Peso e pegada: fechado ele é um “tijolinho” mais largo que o comum; aberto o peso se distribui melhor e a sensação de uso melhora bastante.
- Dobradiças: resistência calculada — firmes o suficiente para manter ângulos intermediários, sem exigir força excessiva ao abrir.
- Ordem correta de abertura: primeiro estenda a parte traseira (módulo de câmeras), depois libere a terceira lâmina; se abrir “pelo lado errado”, o sistema exibe um aviso para corrigir o movimento.
- Acabamento: visual luxuoso, com metais em tom dourado e traseira com textura tipo vegan leather.
- Botões e portas: sensor de digitais lateral acessível, gaveta SIM embaixo, som estéreo com saídas posicionadas para fazer sentido no modo aberto.
Resumo: a engenharia impressiona, mas a usabilidade como smartphone fechado exige acostumar — é mais espesso e largo que um dobrável tradicional. Aberto, vira um excelente dispositivo de consumo e produtividade.
As três telas na prática: de celular a tablet real
Modo de uso | Tamanho | Tipo | Taxa de atualização | Observações |
---|---|---|---|---|
Tablet (aberto) | 10,2” | LTPO AMOLED | 90 Hz | ~92% de aproveitamento, 2232 × 3184 px, experiência de tablet de fato |
Intermediário (2/3) | 7,9” | LTPO AMOLED | 90 Hz | 2048 × 2232 px, boa para leitura/produção com melhora na pegada |
Smartphone (fechado) | ≈6,4” | AMOLED | 90 Hz | proporção confortável para digitar e usar apps comuns |
Qualidade: cores vivas, bom brilho e resposta. Poderia ser 120 Hz em todos os modos pelo preço que cobra. A camada flexível traz leve aspecto “plástico” (normal em dobráveis), mas a sensação some após alguns minutos de uso.
Desempenho e hardware: fluidez boa, números abaixo do esperado
- Chipset: Kirin 9010 (7 nm).
- Memória: 16 GB RAM + 1 TB de armazenamento.
- Percepção de uso: sistema fluido no dia a dia, sem engasgos crônicos durante o período de testes.
- Benchmarks:
- Geekbench: ~1357 (single) / 3712 (multi).
- AnTuTu: abaixo de 1.000.000 (longe dos flagships atuais e até de alguns intermediários “turbinados”).
Interpretação: a sensação ao usar é boa, mas os números frios indicam teto de performance limitado para um produto “halo”. Para tarefas pesadas de longo prazo (gráficos no talo + render + multitarefa), o gargalo deve aparecer antes do que em rivais topo de linha recentes.
Autonomia, aquecimento e tempos de recarga
- Bateria: 5.600 mAh.
- Carga: 66 W com fio (modo Turbo disponível), 50 W sem fio, reversas com e sem fio.
- Tempos medidos:
- 0 → 50%: ~21 min
- 30 min: ~70%
- 0 → 100%: ~1h20
- Aquecimento: discreto na maior parte do tempo; em sessões longas de jogos pesados (ex.: Asphalt) esquenta perceptivelmente.
- Drena rápido abaixo de 50%: a curva de descarga acelera quando passa da metade.
Consumo por atividade (aprox. 1 hora)
Atividade | Dreno de bateria |
---|---|
Asphalt (jogo pesado) | 26% |
Call of Duty Mobile | 14% |
Genshin Impact | 14% |
Gravação de vídeo 4K/30 | 18% |
YouTube | 8% |
Chrome e redes sociais | 8% |
Conclusão de bateria: com uso misto e trocando muito de formatos de tela, não chega confortavelmente ao fim do dia. A recarga é rápida o bastante para “pit-stops”, mas não compensa totalmente o gasto elevado nos cenários pesados.
Câmeras: pacote competente, com retrato telefoto surpreendendo
Câmera | Sensor e recursos | Observações de uso |
---|---|---|
Principal | 50 MP, abertura variável f/1.4–f/4.0, 24 mm, OIS, AF | Fotos consistentes, boa latitude; modo noturno equilibrado |
Ultra-wide | 12 MP, 120°, AF | Versátil e útil para macro com AF |
Telefoto periscópica | 12 MP, 5× óptico, OIS, AF | Retratos excelentes; zoom óptico limpo até 5× |
Frontal | 8 MP, f/2.2 | Útil só no “quebra-galho”; prefira selfies com a câmera traseira usando o display externo |
- Vídeo: todas as traseiras filmam em 4K (até 60 fps); a frontal limita em 4K/30.
- Dica de uso: como todo dobrável, dá para gravar-se com as câmeras traseiras usando o display externo como monitor — resultado bem superior às selfies comuns.
- Limites: o zoom digital degrada rápido acima de 10×.
Resumo: conjunto consistente e acima da média para dobráveis; ainda assim, não é o foco “fotográfico puro” da marca (linha Pura cumpre melhor esse papel).
Software: EMUI 14.2, loja própria e “gambiarras” necessárias
- Baseado em HarmonyOS para a China; no Ocidente, EMUI 14.2 sem serviços Google nativos.
- MicroG e GBox permitem instalar Play Store e apps populares; funciona, mas é menos intuitivo (ex.: repetir login Google em instalações).
- Interface com muitas pastas e sugestões pré-carregadas; requer organização manual para “despoluir”.
- Multijanelas: dá para usar duas e, em cenários pontuais, três apps simultaneamente — útil, embora a curva de aprendizado não seja imediata e a compatibilidade “tripla” seja limitada.
Resumo: dá para viver bem com os apps que você precisa, porém o caminho não é plug-and-play. Quem quer zero fricção vai estranhar nas primeiras semanas.
Conectividade: o calcanhar de Aquiles
- 4G funcionando no Brasil.
- 5G: hardware existe, mas incompatível com as bandas brasileiras.
- NFC: ausente — pagamentos por aproximação ficam de fora (um deal-breaker para muita gente).
Resumo: por esse preço, espera-se 5G + NFC. Aqui não tem — e isso pesa.
Acessórios e case: proteção bonita, usabilidade irregular
A capa inclusa, com visual de fibra de carbono e parte móvel em couro para a área flexível, protege e combina com o design. Porém:
- Botões de volume ficam menos acessíveis.
- No modo 2/3 de tela (uma dobra fechada), a case dificulta o manuseio e chegou a se soltar em testes.
Resumo: melhor que nada, mas não resolve por completo a proteção de um tri-fold no uso real.
Perfil de usuário: para quem é — e para quem não é
Faz sentido se você:
- é early adopter e busca a experiência mais futurista em mobilidade;
- quer tablet e smartphone no mesmo corpo e topa pagar (muito) caro por isso;
- prioriza multitarefa em tela grande, leitura, edição leve e consumo de mídia com conforto;
- aceita contornar a ausência de Google nativo, 5G e NFC.
Não faz sentido se você:
- depende de 5G e pagamentos por aproximação;
- quer câmeras “de topo absoluto” e números de desempenho líderes;
- precisa de um dia inteiro de bateria com uso intenso;
- busca custo-benefício — há dobráveis e slabs muito mais em conta.
Tabela de prós e contras do Huawei Mate XT Ultimate Design
Ponto | Destaque |
---|---|
PRÓS | Design tri-fold único; tela 10,2” realmente usável como tablet; construção premium; 16 GB/1 TB; câmeras traseiras consistentes (retrato com tele excelente); carga 66 W e 50 W sem fio; som estéreo bem distribuído |
CONTRAS | Preço proibitivo; sem 5G no Brasil e sem NFC; 90 Hz (não 120 Hz) para um produto “halo”; benchmarks baixos vs. topo de linha; bateria não aguenta um dia pesado; software com passos extras para Google; case bonita porém pouco prática em certos ângulos |
Comparativo objetivo: tri-fold de vitrine vs. dobráveis “do dia a dia”
Critério | Mate XT Ultimate Design | Dobráveis recentes “estilo fold” |
---|---|---|
Inovação | Máxima (tri-fold real) | Alta (refinamentos anuais) |
Espessura/pegada | Muito fino aberto, volumoso fechado | Mais equilibrados fechados |
Tela e produtividade | Ganha: 10,2” vira tablet de verdade | Muito boa, mas menor |
Desempenho bruto | Abaixo de flagships recentes | Em geral melhor |
Bateria | Boa carga, drena rápido em uso pesado | Variável, tende a durar mais |
Câmeras | Consistentes | Em alguns rivais, melhores |
Conectividade | Sem 5G BR e NFC | 5G + NFC completos |
Preço | Muito alto | Metade (ou menos) do preço |
Leitura prática: o tri-fold entrega a melhor experiência de tablet em um telefone, mas sacrifica conectividade, autonomia e custo. Para a vida real de 2025, dobráveis “clássicos” e tops de linha tradicionais entregam mais equilíbrio.
Veredito: espetáculo de engenharia que ainda não fecha a conta
O Huawei Mate XT Ultimate Design é o dobrável mais legal que testamos em conceito e versatilidade. Quando aberto, transforma-se num tablet real de bolso, algo que nenhum outro smartphone entrega tão bem. Só que: por cerca de R$ 35 mil, faltam 5G e NFC, o desempenho não é de topo, a bateria sofre com o uso pesado e o software pede jeitinhos para alcançar a fluidez “Android com Google” que estamos acostumados.
Para quem é entusiasta de tecnologia e quer o ápice da inovação de 2025, ele cumpre a promessa de entregar algo único. Para a maioria das pessoas — inclusive quem busca um dobrável para trabalho e vida real — existem opções muito mais racionais e bem mais baratas.
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