Escolher a capacidade correta em BTUs é o que separa uma compra inteligente de um gasto desnecessário. Se você pega um ar-condicionado fraco, ele fica ligado por muito mais tempo para dar conta do ambiente. Se pega um forte demais, pode até gelar rápido, mas você pode pagar mais caro no equipamento e nem aproveitar o melhor equilíbrio de economia para o seu uso.
A forma certa de escolher BTUs não é “chute” nem “quanto maior melhor”. É cálculo simples + ajustes por condições reais do ambiente. Neste guia, você vai aprender o passo a passo e no final terá uma tabela prática para bater o olho e decidir rápido.
O que são BTUs e por que isso muda sua conta de luz
BTU é a sigla de British Thermal Unit e representa, na prática, a capacidade de refrigeração por hora: quanto calor o aparelho consegue retirar do ambiente.
O erro comum é pensar assim:
- “Vou pegar menos BTUs para economizar” → pode dar errado, porque o aparelho trabalha demais.
- “Vou pegar mais BTUs para gelar mais rápido” → pode dar errado, porque você paga mais caro e pode escolher fora do ideal.
O correto é dimensionar para a realidade do ambiente, porque metragem, pessoas, sol e equipamentos fazem diferença.
Passo 1: meça o ambiente em m² (comprimento x largura)
Antes de comprar, pegue uma fita métrica e calcule a área:
Área (m²) = comprimento x largura
Exemplo:
- Quarto com 4 m x 3 m
- 4 x 3 = 12 m²
Esse número é a base do cálculo.
Passo 2: cálculo base de BTUs por m² (regra prática)
Uma referência técnica muito usada no Brasil é:
600 BTUs por m²
Então o cálculo base fica assim:
BTUs base = 600 x área (m²)
Exemplo do quarto de 12 m²:
- 600 x 12 = 7.200 BTUs
Como BTUs comerciais mais comuns são 9.000, 12.000, 18.000 e 24.000, você escolhe o mais próximo para cima.
Neste caso:
- 7.200 → 9.000 BTUs
Passo 3: arredonde sempre para o próximo modelo acima
Esse ponto é importante para evitar subdimensionamento:
- Se deu 10.000 → escolha 12.000
- Se deu 14.000 → escolha 18.000
- Se deu 19.000 → escolha 24.000
A regra prática: sempre arredonde para cima.
Passo 4: ajuste pela quantidade de pessoas no ambiente
Pessoas geram calor. Por isso, existe um ajuste simples:
- Até 2 pessoas: não muda nada
- Acima de 2: +600 BTUs por pessoa extra
Exemplo:
- Ambiente calculado em 7.200 BTUs
- Se tiver 4 pessoas (2 extras): +1.200 BTUs
- 7.200 + 1.200 = 8.400 BTUs → ainda vai para 9.000
Esse ajuste é essencial em salas, quartos compartilhados e ambientes de trabalho.
Passo 5: ajuste pela incidência de sol (muito sol = mais BTUs)
Se o ambiente pega sol forte (manhã/tarde) ou fica muito quente por causa da insolação, some:
- +1.000 BTUs no cálculo
Exemplo:
- 7.200 BTUs base
- +1.000 (sol forte) = 8.200 BTUs
- Resultado final: 9.000 BTUs
Ambientes com janela grande, parede externa exposta e cobertura quente costumam sentir bastante esse efeito.
Passo 6: ajuste pela carga térmica de eletrônicos e eletrodomésticos
Equipamentos ligados aquecem o ambiente. Em quarto com 1 TV e um notebook, o impacto pode ser pequeno. Mas em locais com muitos aparelhos (home office pesado, estúdio, cozinha), o cálculo muda.
Regra prática indicada:
- Se houver mais de 3 equipamentos gerando calor (ex.: TV grande, PC, console, monitor, forno, micro-ondas, geladeira, etc.), considere:
- +1.000 BTUs
Exemplo:
- 12 m² → 7.200 BTUs
- Sol forte: +1.000 → 8.200
- Muitos eletrônicos: +1.000 → 9.200
- Arredonda para cima: 12.000 BTUs
Passo 7: ajuste pelo pé-direito (altura do ambiente)
Quase ninguém lembra disso, mas faz diferença. Se seu pé-direito é padrão (cerca de 2,7 m), você pode ignorar esse passo.
Mas se for maior que 2,7 m:
- a cada 1 metro adicional, suba um nível comercial de BTUs
Exemplos:
- Você calculou 12.000 BTUs e o pé-direito é 3,7 m → sobe para 18.000
- Pé-direito 4,7 m → sobe para 24.000
Quanto maior a altura, maior o volume de ar para resfriar.
Tabela rápida: BTUs por metragem (cálculo base 600 BTUs/m²)
Use como ponto de partida. Depois aplique os ajustes de pessoas, sol, eletrônicos e pé-direito.
| Área do ambiente (m²) | BTUs base (600 x m²) | Capacidade comercial sugerida |
|---|---|---|
| 9 m² | 5.400 | 9.000 BTUs |
| 10 m² | 6.000 | 9.000 BTUs |
| 11 m² | 6.600 | 9.000 BTUs |
| 12 m² | 7.200 | 9.000 BTUs |
| 13 m² | 7.800 | 9.000 BTUs |
| 14 m² | 8.400 | 9.000 BTUs |
| 15 m² | 9.000 | 9.000 BTUs |
| 16 m² | 9.600 | 12.000 BTUs |
| 17 m² | 10.200 | 12.000 BTUs |
| 18 m² | 10.800 | 12.000 BTUs |
| 19 m² | 11.400 | 12.000 BTUs |
| 20 m² | 12.000 | 12.000 BTUs |
| 25 m² | 15.000 | 18.000 BTUs |
| 30 m² | 18.000 | 18.000 BTUs |
| 35 m² | 21.000 | 24.000 BTUs |
| 40 m² | 24.000 | 24.000 BTUs |
Exemplos práticos para não errar
Exemplo 1: quarto 12 m², 2 pessoas, sem sol forte
- 12 m² → 7.200 BTUs → 9.000 BTUs
Exemplo 2: quarto 12 m², 3 pessoas, sol forte
- 7.200 + 600 (pessoa extra) + 1.000 (sol) = 8.800 → 9.000 BTUs
Exemplo 3: escritório 16 m², 2 pessoas, PC forte + 3 monitores, sol forte
- 16 m² → 9.600
- 1.000 (sol) → 10.600
- 1.000 (carga térmica) → 11.600
- Arredonda: 12.000 BTUs
Exemplo 4: sala 20 m², 5 pessoas, sol forte
- 20 m² → 12.000
- 1.800 (3 pessoas extras) → 13.800
- 1.000 (sol) → 14.800
- Arredonda: 18.000 BTUs
Dica final: BTUs corretos fazem o aparelho render mais e durar mais
Quando você acerta a capacidade:
- o ar trabalha menos “no limite”
- estabiliza a temperatura com mais facilidade
- tende a entregar melhor conforto
- evita arrependimento por “não gelar” ou “gastar demais”
